Resenha Histórica:


Se a uns estepe ou a planície longínqua imprime olhar vago e enigmático e a vida se arrasta ao som de canções dolentes, a outros as serras alcantiladas, o vale florido e fresco, a água límpida imprimem um carácter, uma só fé que se traduz na alegria do seu cantar.

Não há que duvidar que qualquer povo está sujeito às suas condições mesológicas. Os elementos físicos, a solidariedade humana na luta pela vida, criam uma mentalidade que se exprime na semelhança de sentir, de pensar e de agir. Nenhum povo consegue libertar o seu espírito da influência que nele exerce o céu, o clima, o ar que respira, a água que bebe ou a paisagem que a traça.


vista panorâmica de Paleão



Para melhor compreender a realidade de outros tempos, que hoje nos é apresentada pelo Rancho Típico de Paleão é necessário recuarmos no tempo e conhecer o meio físico e social que este retrata nos seus trajes, usos e costumes.

O rancho nasce na década de 50, fruto da ideologia da época cultivada pelo Estado Novo através da conhecida FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho), passando por várias fases evolutivas até chegar ao modelo atual, que se rege pelos padrões etnográficos fomentados pela Federação do Folclore Português.

A sua história funde-se na da pequena localidade de Paleão e da sua fábrica de finais do séc. XIX.

Obrigação da Companhia Fabril e Industrial de Soure, ano de 1890




O forasteiro que se dirige no sentido poente nascente, pela estrada que parte de Soure e cruza com a Nacional de Lisboa ao Porto, topa, ao dobrar a curva de um pequeno cerro olivífero, com o casario matizado da pequena mas importante aldeia de Paleão. Todo o panorama é bonito, encimado a nascente pela serra altiva e arrogante da Senhora do Círculo, até à Senhora da Estrela na freguesia da Redinha e a cujo conjunto de elevações, que se estendem de Condeixa às proximidades de Pombal, os geógrafos chamaram Serra do Sicó.


Serra do Sicó




Já a serra é pedregosa e nua. E só aqui e além aparece a copa torcida ou o tronco árido e queimado de oliveiras. Talvez por isso, para cá, muito mais para cá, vive-se e sonha-se.

Paleão, terra antiga, data dos primórdios da nossa História. Em 1219 grafava-se por Paleyom e em 1221 por Palaiom, até 1300, que modificou para Palayom de Acervo. A partir dos séculos XVI e seguintes sofreu outras modificações na grafia e aparece-nos, então, com as seguintes evoluções: - Pallyon, Paallyam, Palliam e finalmente Paleão.
É curioso apontar ainda que esta vetusta terra teve juiz ordinário, vereadores, procuradores, escrivão da Câmara e era comenda da Ordem de Cristo. Só a comenda de S. Mateus rendeu, em 1823, a quantia de 142 mil-réis.
De Soure a Paleão ficava ainda a barbacã do castelo de Soure.

Câmara e julgado terminaram em finais do século XVII, no ano de 1694, ficando desde aí sob a jurisdição da vila de Soure.

Talvez por ter perdido a sua autonomia administrativa, talvez por outros motivos não averiguados, o certo é que Paleão foi declinando e chegou ao final do século XIX como lugar da freguesia de Soure, sem qualquer outro valor económico além do constituído pela sua agricultura.

Tradicional nora de apoio às culturas de regadio




Essa atividade agrícola era essencialmente desenvolvida nos campos rasos ali construídos pela Natureza, rodeados de contrafortes rochosos das serras vizinhas, entre as quais a de Sicó, que os envolvem a nascente, numa coroa de altitudes médias. Só que esses campos foram talhados pelas abundantes águas que correndo dos riachos e ribeiras nunca chegaram, por incrível que pareça, a formar caudal nem grande rio. Antes pelo contrário, foram linhas de água convivendo com suas irmãs gémeas, trilhando cada qual o seu caminho pelos campos talhados de eras geológicas, todas à procura de uma foz onde engrossassem e fossem unas até ao oceano. Esta particularidade foi aproveitada pelo trabalho dos antigos "arquitetos" de moinhos e azenhas, que logo descobriram um manancial de energia para erguer açudes, acéquias, levadas ou canais e assim mover seus engenhos de farinha.

Moinho de rodízio (reconstituição Rancho Típico de Paleão 2011)




Moinhos de Paleão




Rodízio




Azenha do último Moinho em funcionamento nos Moinhos de Paleão




Numa rápida visão, reconhece-se ali um conjunto de moinhos de várias pedras. Localizavam-se na levada do Orão e no Rio Anços. Fazendo trabalhar em 1885, trinta e cinco pares de pedras movidas por azenhas e rodízios, para além de um grande lagar hidráulico com quatro varas e várias noras. Junto a Soure essas abundantes águas também eram aproveitadas em vários moinhos e azenhas, tudo a funcionar com o aproveitamento da força motriz da água, aspeto que não passava despercebido a quem via no trabalho industrial uma forma de desenvolvimento.

Fábrica de Paleão




A criação, porém, de uma fábrica de fiação e tecidos de algodão na última metade do séc. XIX, que progressivamente se foi desenvolvendo até empregar mais de 400 operários, e ser considerada a mais valiosa unidade fabril do concelho, voltou a dar a Paleão a importância perdida, desempenhando um papel de relevo na Revolução Industrial Portuguesa.

A cultura do linho, estimulada pela central de maceração, propriedade daquela fábrica, concorreu também para elevar o nível de vida dos habitantes da região, e na transformação operada nos hábitos e costumes dos Paleonenses e povoações vizinhas.

No panorama industrial português a Fábrica de Fiação e Tecidos de Soure pode considerar-se uma unidade fabril de sucesso, pois ultrapassou uma centúria de existência. Pertenceu à terceira geração de unidades maquinofatureiras e apesar de alguma perturbação administrativa subsistiu às crises, mantendo a sua presença na paisagem e assumindo-se como património industrial, até que em 1994 foi encerrada definitivamente.

Fábrica de Paleão 1996




Entre as fábricas algodoeiras foi uma das mais antigas do Baixo Mondego e uma das têxteis mais modelares da região e " área económica" de Coimbra. Ao longo dos cento e três anos de laboração passou por seis períodos administrativos fundamentais. Inicialmente foi propriedade da Companhia Fabril e Industrial de Soure, empresa que lhe deu existência como unidade fabril e a preparou para a produção algodoeira.

É mais tarde, durante a administração da Empresa Fabril do Norte, entre 1942 e 1991, que se revelam mudanças significativas do ponto de vista administrativo, técnico, fabril, social e cultural, apanágio da Senhora da Hora (sede da Empresa Fabril do Norte, no Porto).


Emblema inicial do CDEF Norte e Soure




É nesta altura, durante o Estado Novo, mais propriamente no ano de 1954 que a administração da fábrica, indo de encontro à ideologia social de então, incutida nessa altura através de organismos como a Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, a Junta Central das Casas do Povo e o Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo, que é fundado o Clube de Desportos e Educação Física do Norte e Soure.

Parada com os elementos do rancho, os atletas das várias modalidades
desportivas do Norte e Soure e o corpo de Bombeiros da fábrica de Paleão




A 20 de Agosto de 1954 nasce assim o CDEF Norte e Soure com valências ao nível desportivo e cultural: Atletismo; Basquetebol; Ciclismo; Futebol; Ginástica; Ténis de mesa; Grupo Coral Misto; Orquestra; um Grupo de Teatro, abrindo uma sala de espetáculos, onde atuou inclusivamente o ator Francisco Ribeiro (conhecido também como o Ribeirinho) e na vertente de folclore surge o Rancho Típico de Paleão.

Conforme referido por alguns estudiosos: “O incentivo investimento do Estado Novo no folclore fez parte do trabalho de redução do «popular» ao «camponês» e elogio da tradição e da rusticidade que caracterizou a retórica nacionalista neste período. A esteticização do folclore nos palcos articulou-se, por um lado, com medidas práticas de disciplinamento estatal e eclesiástico dos costumes do campesinato, mormente de alguns dos seus hábitos festivos. Por outro lado, o pendor «visualista» e espetacular do folclorismo fomentado pelo Estado Novo subalternizou trabalhos de pesquisa etnográfica cuja eficácia social imediata se afigurava menor ou potencialmente corrosiva dos cânones da retórica nacionalista”.

Nesta fase inicial o Rancho típico de Paleão, como tantos outros, era também o espelho disso, o chamado rancho tipo marchas populares. A fase inicial, orientada pelo mestre Saúl Vaio, prolongou-se até final da década de 50.

Rancho Típico de Paleão 1954 (formação inicial)




No entender de João Vasconcelos e conforme afirmado por Ludgero Marques, do conselho técnico da Federação do Folclore Português que disse: “dentro em pouco entraremos na fase da arqueologia folclórica”. João Vasconcelos julga que se pode já retirar o tempo futuro a esta observação. Dada a amplitude e a eficácia do movimento folclórico do segundo quartel do século, é irrealista na maior parte do país pretender encontrar nos idosos de 1999, memórias das vestes, das danças e dos cantares de juventude não «contaminadas» pela folclorização.

No entanto este processo evolutivo deu-se no Rancho Típico de Paleão bastante cedo.

Após 5 anos de atividade, em meados de 1959, o administrador eng. Luis Delgado Santos toma a iniciativa de contratar o sr. Oleiro, ao qual foi atribuída uma carrinha para se deslocar e um salário para efetuar uma recolha fidedigna de trajes, músicas, danças e cantares levada a cabo um pouco por todo o concelho de Soure. Talvez dada a riqueza cultural da zona, a verdade é que esta teve particular ênfase na zona serrana, ainda assim, é sempre de realçar o valor de tal feito e a data a que foi efetuado minimizando os tais efeitos de contaminação pela folclorização referidos anteriormente.

Da recolha à sua aplicação no rancho, passam aproximadamente 2 anos.

Rancho Típico de Paleão 1960/61




É então em 1960/61 que através do trabalho de recolha efetuado pelo seu novo mestre, o sr. Oleiro, que o Rancho começa o corte com o seu formato inicial e se apresenta com uma nova imagem, mais próxima da ideologia etnográfica.

Esta fase de viragem só termina em 1964 quando o Rancho Típico de Paleão se passa a apresentar com uma maior diversidade de trajes, desde os trajes ricos e domingueiros, aos trajes mais pobres e de trabalho. Na altura era entendido que seguindo o tema das romarias e em virtude de se retratar sobretudo ambientes festivos, que apenas os trajes domingueiros compusessem a roda, assistindo assim a um tipificar do traje do homem e da mulher onde apenas variava a cor das blusas femininas. Os restantes trajes, nomeadamente os de trabalho, eram então vestidos por elementos do grupo apenas com função figurante para apresentação dos mesmos.

Rancho Típico de Paleão 1965




Esta evolução por si só não terá sido suficiente. Seguindo as diretrizes federativas, reconheceu-se mais tarde a necessidade de acentuar a diversidade do traje, e nesse contexto, a diversidade da roda, incluindo para isso mais trajes de trabalho em detrimento da frequente predominância de trajes ricos domingueiros.

Rancho Típico de Paleão 2003




Os últimos trajes recolhidos tiveram essencialmente como fonte a fotografia.

Destas, a mais importante é sem dúvida, a de uma fotografia recolhida no espólio dos antigos proprietários da Quinta da Cruz que foram também proprietários da fábrica de Paleão. Considerando-se que a mesma é anterior a 1900, essa fotografia é considerada um tesouro etnográfico em termos de trajes. Nela está retratada toda a força laboral dos primórdios da fábrica de Paleão, onde se constata, pela análise do seu todo que se trata de uma foto espontânea (isto é, sem qualquer tipo de preparativo/cerimónia, apresentando as pessoas com as suas vestes diárias), ao contrário das fotografias de estúdio onde era vulgar as pessoas apresentarem-se com vestes mais ricas (e que por vezes que nem eram delas) só para a fotografia deturpando muitas vezes a realidade do seu quotidiano.
Os últimos trajes recolhidos tiveram essencialmente como fonte a fotografia.


Panorama da Fábrica de Paleão e pessoal fabril (anterior a 1900)




Assim o Rancho Típico de Paleão apresenta-nos o seu folclore, as suas danças e cantares, folclore esse que se divide em dois tipos: o da serra e o do litoral.

Na serra as danças apresentam-se quase sempre de roda vulgarmente com troca de pares, o que imprime uma certa graciosidade, sendo que da recolha aí feita encontrou-se uma única exceção, um vira recolhido em plena serra do Sicó, na povoação das Cotas, talvez por isso intitulado “Vira das Cotas” e é, julgamos nós, o vira mais secular da nossa região.

Eira típica da zona serrana




Já no litoral é mais vulgar apresentarem-se as danças em grupos de dois pares e nomeadamente em forma de quadrado.

Lavadeiras no rio em Soure




Não podia o povo desta região passar despercebido sem sofrer das suas condições mesológicas. Além do meio, algo mais viria a influenciar a maneira de ser dos da terra.

A religião, mais propriamente as romarias feitas ao som dos tambores, das flautas, dos ferrinhos e dos harmónios onde se dançava e cantava num folguedo inolvidável nomeadamente:

Senhora do Círculo




A romaria à Sra. do Circulo localizada num dos montes que fazem parte da Serra de Sicó, a sul de Condeixa e que se realiza no segundo domingo depois da Páscoa e a Fé na Virgem, pede proteção especialmente para os rebanhos de cabras e ovelhas que se alimentam naquelas encostas para, em devido tempo, produzirem o leite com que se faz o conhecido queijo do rabaçal, produzido em toda a região de Sicó. Naquele tempo era comum ver rebanhos a dar voltas à capela, acompanhados pelo seu pastor que, num ato de fé, transportava aos ombros ou ao colo, uma das rezes, cordeirinho ou cabritinho...;

Capela da Senhora da Estrela




A romaria à Senhora da Estrela também conhecida como a Senhora da Boa Estrela padroeira dos pastores, celebrada a domingo de Pentecostes localizada numa escarpa da Serra do Sicó voltada para a aldeia dos Poios, Redinha, cuja ermida lá do alto domina a povoação e cujo culto se perde nos tempos medievais, acolheu no seu adro uma irmandade e outra casa, a qual, em conjunto com as lapas (estas lapas são formações rochosas que formam uma espécie de lençol rochoso por cima de outra rocha dando origem a uma cavidade entre as duas rochas), servia de alojamento a romeiros em demanda das nascentes miraculosas do santuário. Mantém, ainda hoje, este santuário e os seus devotos;

Capela de São Mateus



A romaria ao taumaturgo São Mateus, a 21 de Setembro, cuja imagem se venera na sua capelinha, velha de séculos, junto a Paleão erigida em finais do séc. XII e que mais tarde sofreu profundas alterações (no início do séc. XVI), mas continuando, erigida em finais do séc. XII pelo eremita São Rício que o povo traduziu por São Rijo (como ainda hoje o prova a tradição de lhe oferecer broa para não… enrijecer). Desde sempre, por ocasião da sua romaria anual em Setembro, o povo de todo o centro do país aqui afluía, com os seus ranchos e as suas tocatas, pagando promessas cantando e bailando dia e noite, naquela sã alegria portuguesa contagiante e irreprimível.

Do séc. XIII ao séc. XV era a romaria de S. Mateus a mais importante das romarias de Portugal, enchendo-se as ruas e caminhos de pessoas em folia que vinham fazer as suas transações e agradecer/pagar os milagres ao santo, que tem fama de aceitar oferendas inconcebíveis que só um verdadeiro santo pode tolerar à ingenuidade do povo que lhe traz, por sagrada promessa, uma cana com dúzias de pulgas, sete espigas roubadas, ou duas cambalhotas no adro frente ao portal.

São Mateus


No dizer popular:

“ Não peças a morte a Deus

Nem chuva pelo S. Mateus…”


S. João, Padroeiro de Paleão




Comemorado a 24 de Junho conta-se que em 1698 após terminação da Câmara e Julgado, a Câmara, a partir de 1695 com assento em Soure, resolveu que, «para não faltar à devoção que nesta Câmara havia a S. João, dali em diante iria em romaria ao dito santo na sua ermida de Paleão, no seu dia, pela manhã. O vereador mais moço levará a Bandeira, com a propina de 6$000 reis, que dividirá, conforme a Provisão de Sua Majestade, pelos outros oficiais».

O povo de Paleão vinha esperar a bandeira à ponte, com música, e dali seguiam para a capela. Os festeiros ofereciam ao vereador que levava a bandeira, uma cabra, branca e, quando a não conseguiam, davam-lhe um grande carneiro, branco também. Este costume manteve-se até ao ano de 1925, isto é, durante 227 anos.




As feiras de gado eram também prática corrente de outros tempos… aqui perto de nós a mais importante seria talvez a Feira dos 15, que era realizada aos dias 15 de cada mês, junto da Igreja da Senhora do Bom Sucesso e era também por isso chamada de Feira do Bom Sucesso.

Feira dos “15” ou do Bom Sucesso




Seja pelo influxo destas tradições, seja pelas migrações temporárias dos nossos rurais, portadores ou regressados com hábitos e costumes dos meios em que labutaram, o nosso folclore tem características bem definidas: fronteira que nos abre as portas do sul, no dizer do Dr. Pedro Homem de Melo: "Em Paleão, no concelho de Soure, província da Beira Litoral, principia coreograficamente, a província da antiga Estremadura-Zona, outrora cedida pelos reis à Ordem dos Templários para que estes desbravassem as suas intérminas florestas virgens, as quais, com o andar dos tempos, se foram transformando em terras de cultivo. Fronteira folclórica, Paleão representa irrefutavelmente, a chave que nos abre as portas do sul. No entanto, ali, pela última vez, vindos do Norte, veremos e ouviremos a moda do Malhão-Malhão em ré menor que é, repetimo-lo, a contar do Norte, o derradeiro Malhão de Portugal".

Pedro Homem de Melo



Saliente-se que geograficamente Paleão se situa no limite sul do Distrito de Coimbra, zona onde eram frequentes as migrações em ranchos de trabalhadores rurais, referidas por Pedro Homem de Melo, para as atividades agrícolas sazonais que tinham lugar a sul, designadamente nas lezírias ou campos da Borda-d’água.

No entretanto vivíamos a era dourada do grupo que marcava a sua posição dentro do Folclore Nacional e era convidado a participar em diversos concursos e festivais por todo o País e além-fronteiras, obtendo inclusivamente vários primeiros prémios destacando-se o 1º lugar de melhor traje a nível distrital e o 2º lugar na fase final a nível nacional.


Capa da brochura distribuida no 1º Congresso da FFP




Em 1977 foi criada a Federação do Folclore Português, da qual este rancho se orgulha ser sócio fundador. Ainda hoje há elementos mais velhos no grupo que fizeram parte da representação aí enviada por este rancho e que recordam esse acontecimento com nostalgia.

Outras atividades do Grupo:

Ao longo da existência do grupo foi feita a recolha de vários artigos etnográficos, sendo que alguns se encontram expostos no Museu Municipal de Soure a título de empréstimo. Desses constam uma candeia a petróleo, uma candeia de azeite, uma escalfeta em caixa retangular, um pote de ferro com três pés, um ferro de engomar a carvão, uma pá de farinha de madeira, quatro medidas em madeira, cinco pias de ferro, um ferro de resineiro, um martelo de pedreiro, um guizo e um selador de sacos.

Em termos de reconstituições etnográficas foram feitas em 1986 e 1992, as escamisadas.

Em 1994, procedeu-se à recolha do Cântico das Almas Santas, que era tradição antiga na nossa localidade. Estávamos no final do séc. XX e mesmo assim houve alguma facilidade em encontrar quem ainda se lembrasse dos referidos cânticos. Para a referida recolha foram entrevistadas as pessoas mais idosas que em tempos haviam pertencido aos grupos que efetuavam o referido cântico, quer individualmente, quer depois em grupo. Este cântico tem vindo a ser representado regularmente pelo grupo, que percorre as ruas da aldeia durante as noites, no período da Quaresma, recolhendo os donativos cedidos pela população que são depois entregues ao Pároco para rezar missas pelas Almas conforme manda a tradição.

Por altura desta recolha foram também recolhidas algumas rezas, nomeadamente a reza do torcido para
curar o entorse, o cortar do cobrão, o responso para encontrar coisas perdidas, reza para cortar
o ar, reza a Santa Bárbara por causa da trovoada e a reza para tirar o quebranto ou mau-olhado.

No dia 14 de Dezembro de 2002, o senhor Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto visitou a aldeia de Paleão. A
recepção foi feita pelo Rancho Típico.

O Bispo de Coimbra D. Albino Cleto




 

Feira à moda Antiga em Soure



Mais recentemente e em parceria com a iniciativa da Câmara Municipal de Soure, as participações na
Feira à moda Antiga, integrada na semana cultural anual, onde o grupo tem participado na animação
de forma ativa, inclusive com banca de mercado.

Paralelamente à evolução do Rancho Típico de Paleão, a Fábrica de Paleão, administrada por uma
das mais importantes empresas portuguesas de largas tradições industriais, sobreviveu às mudanças
estruturais dos anos 70, mas não pôde deixar de ressentir-se perante a alteração do quadro económico
e técnico dos anos 80. Era então uma fábrica envelhecida e com um equipamento obsoleto, sobretudo
na área da tecelagem.

O envelhecimento técnico da fábrica e a distância a que se encontrava do Norte inviabilizou a sua reconversão
mantendo-se gerida por um delegado da empresa que ali se deslocava periodicamente. Durante três anos
manteve-se essa relação umbilical, mas os custos e os problemas da sua manutenção determinaram o seu
encerramento definitivo. Corria o ano de 1994. É atualmente propriedade do grupo SONAE.


Emblema atual do Norte e Soure - CSCD de Paleão




Ficou a obra e o seu legado desportivo e cultural. Atualmente Norte e Soure e Rancho Típico de Paleão,
subsistem respetivamente como réstia da prosperidade e dinamismo que outrora a Fábrica de Paleão
impulsionou/proporcionou às gentes desta humilde aldeia.

O Rancho Típico de Paleão é atualmente o grupo mais antigo, em atividade, do concelho de Soure,
funcionando ininterruptamente desde que foi fundado.

É um grupo dinâmico que ao longo do tempo foi sofrendo alterações. Mesmo atualmente a cada época que passa a evolução é constante, com saída de uns elementos e a entrada de outros novos, existe cada vez mais a preocupação de incutir nos mais jovens a salvaguarda do seu/nosso património imaterial e etnográfico, privilegiando a autenticidade e a representação dos usos e costumes da nossa região.

Copyright 2014 Rancho Típico de Paleão